Foto Digital Fronteira Final - ? |
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As câmaras digitais já estão chegando a uma nova geração. Os novos equipamentos cabem na palma da mão, mostram imagens em sua pequena tela e ainda apresentam as possibilidades de também gravar imagens em movimento e sons. São, na realidade, um tipo de fusão entre câmara de vídeo e os anteriores modelos de digital.
O mérito da popularização da fotografia deve-se exclusividade a um único homem, o norte americano George Eastman, cuja contribuição democratizou o uso fotografia enquanto forma de expressão.
autor: Prof. Enio Leite.
Desde que se interessou por fotografia, Eastman desaprovou os complicados e trabalhosos processos de sua época. Até então, além de ter que fabricar sua própria câmara, o fotógrafo ainda tinha que produzir seus próprios filmes.
Utilizava uma chapa de vidro, preparada com clara de ovo, adesivo então comum, e sobre este depositava uma solução de nitrato de prata. As chapas deveriam ser expostas e processadas ainda úmidas, para não perder sua sensibilidade.
Quando, numa publicação inglesa, tomou conhecimento da utilização das “chapas secas”, passou a pesquisar novos meios que simplificassem a tarefa de fotografar. Descobriu na técnica da gelatina e brometo de prata, qualidades necessárias para não só para melhorar o resultado das imagens, mas também para a sua industrialização.
Entretanto, para tornar esta técnica economicamente acessível, era indispensável encontrar um filme mais leve, de menor custo e flexível, ou seja, o filme em rolo. Assim a popularização se completou quando finalmente, em junho de 1888, lançou a “Brownie”, a primeira câmara portátil.
A tarefa era muito simples: o interessado adquiria por US$ 1 uma “Kodak” já carregada com filme para 100 fotos e seguia as recomendações da propaganda: “Você aperta o botão, nós fazemos o resto...”.
Destronar uma tecnologia tão aperfeiçoada não é tarefa fácil. Os fabricantes das digitais reconheciam que o maior desafio seria o de conseguir uma resolução eletrônica comparável a dos grãos químicos dos filmes populares. Hoje garantem que os últimos modelos, lançados agora no Brasil, já atingiram essa perfeição ao apresentar definições iguais ou superior a de 3,3 megapixels.
A tecnologia digital oferece também outras comodidades inexistentes nas versões que utilizam filmes químicos, como por exemplo: o resultado pode ser aferido imediatamente e, se insatisfatório, pode, também imediatamente, ser re-fotografado; o resultado pode ser ajustado, corrigido e retocado eletronicamente; pode ser ampliado no mesmo instante; permite que seja editado e enviado por telefone, ou Internet.
Aos olhos do leigo, estas inovações confundem a própria concepção da imagem, o que se dá quando se perguntam, “Será que foi originariamente produzida por meios tradicionais ou por câmaras digitais de alta tecnologia?”.
Muitos acreditam que a imagem fotoquímica já está aparentemente “morta” e aplicam tudo nas digitais. Outros, na dúvida, investem discretamente nesta nova vertente fotográfica. A evolução da história da fotografia deu novos e largos passos e o processo para essa evolução, faz a história se repetir.
No século XIX, por exemplo, o teatro era a única forma de entretenimento popular. Na primeira década do século XX, com o advento do cinema, o teatro passou por profundas transformações, quando começou a atender as elites, abordando novas temáticas - mais polêmicas - voltadas para a essência humana, liberando para o cinema o espaço da comédia, da diversão e das amenidades da época.
Em meados da década de 50, a televisão, cujos programas eram todos ao vivo, se transformou ao adaptar-se a nova tecnologia do videotape, que possibilitava agora, uma programação previamente gravada e retocada sem o até então inseparável conhecimento do público. A indagação da época foi se essa nova técnica, iria de fato, substituir o cinema.
O próprio advento da televisão fez com que o fotojornalismo procurasse novas formas de linguagem, para não se tornar uma espécie de “segunda via fatal...”.
A tecnologia digital, como vem se apresentando até agora, não constitui uma ameaça à fotografia tradicional e, muito pelo contrário, representa ferramenta, um recurso adicional, tanto técnico quanto estético para o próprio fotógrafo.
A fotografia tradicional é composta de várias técnicas e procedimentos próprios. Assim como, fotografar em preto e branco, com negativo colorido, ou fotografar em cromo exigem conhecimentos e discursos estéticos diferenciados e outros procedimentos próprios, as câmaras digitais exigirão seus próprios conhecimentos.
O equipamento digital, a princípio, é muito semelhante às câmeras de vídeo. Antes de fotografar, temos que ajustar o “balanceamento de cor” em função da fonte luminosa utilizada. Por exemplo, se fotografarmos com luz incandescente e não efetuarmos o devido ajuste, as imagens se tornarão extremamente amareladas, com luz diurna, verdeada e assim por diante.
Dessa forma, devemos aprender como operar esse novo instrumento, da mesma forma que a própria fotografia tradicional apresenta suas técnicas distintas.
A tecnologia digital tem aberto novos horizontes, ampliando recursos que até então dependiam de trabalho artesanal tal como: restauração de imagens, reprodução, montagens e fusão. Possibilita impressão em tecidos, aplicação em madeiras, paredes, porcelanas e outras, até então dependentes de imperfeitos processos alternativos, cujos custos sempre foram proibitivos.
Esta tecnologia vem ocupando cada vez mais o espaço da fotografia Instantânea. É também utilizada para substituir os dispendiosos processos diretos, cópias e ampliações fotoquímicas, a partir de cromos ou mesmo de negativos “imperfeitos”.
Hoje qualquer amador pode entrar em uma loja de fotografia munido apenas da cópia em papel, sem seu respectivo negativo, reproduzi-la e corrigi-la digitalmente em poucos minutos, obtendo novas cópias também em papel fotográfico.
Tem contribuído para a otimização de Bancos de Imagens e para uma reavaliação da estética e do discurso fotográfico.
Rompendo a barreira da realidade virtual, podemos conferir em tempo real, nas redações ou nos sites das agências de notícias, informações visuais de todos os cantos do mundo por um custo quase zero. Ou criar imagens surreais na mesma velocidade.
A imagem digital veio para ficar. Não para substituir o que já foi conquistado, mas para facilitar a vida do fotógrafo, agregando novos valores. Portanto, é mais uma técnica, um recurso de linguagem que devemos aprender e usufruir em todos os seus aspectos.
A despeito de toda esta tecnologia, podemos prenunciar que a “fronteira final fotográfica” ainda não foi atingida e a boa fotografia, independente da mídia utilizada, ainda demanda luz, sensibilidade e intelecto criativo do fotógrafo.




