Introdução à Fotografia Digital

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A qualidade da foto depende do conhecimento técnico do fotógrafo , dos recursos de seu equipamento fotográfico , dos materiais utilizados como suporte, de sua sensibilidade e habilidade de enxergar e expressar a realidade e finalmente dos processos de revelação e acabamento.


autor: Prof. Ricardo Iglesias / março de 2.000 / Unicamp.


I - O Processo Convencional

A Fotografia Convencional baseia-se sempre em um suporte físico de filme e/ou papel fotográfico , e através de um processo que envolve inúmeras etapas chega-se ao produto final constituído por : ampliações , cópias por contato , slides , negativos , ou cromos coloridos .

Considerando que no mundo atual trabalha-se cada vez mais com o produto final digitalizado : agências de publicidade , gráficas , empresas de preparação de CDs e audio-visuais , sites da Internet etc. ... , deve-se ter em mente que na fase final do processo a fotografia acaba traduzida em bits e armazenada em um computador .

Neste cenário, o Processo Convencional desde o filme dentro da máquina até o computador envolve pelo menos quinze etapas : revelação , banho , fixação , remoção do hipocloreto , enxágüe , secagem , ampliação ou cópia por contato , revelação do papel , banho , fixação , remoção do hipocloreto , enxágüe , secagem do papel , scanner e gravação do arquivo no computador .


Inúmeros fatores contribuem para a qualidade do produto final , além dos citados anteriormente :

. os filmes e papéis fotográficos não podem estar vencidos e nem ter sidos expostos à temperaturas extremas que possam afetar seu desempenho ;

. as embalagens onde se armazenam os filmes e papéis devem estar preservadas para evitar exposições à luz ;

. os filmes virgens ou utilizados e não revelados não podem ter sido expostos às fontes de raio x ou qualquer outra irradiação cujo comprimento de onda o sensibilize ;

. a idade e a temperatura das substâncias químicas utilizadas no processo devem estar adequadas às especificações técnicas exigidas ;

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os equipamentos de revelação e ampliação devem estar perfeitamente ajustados para a qualidade exigida no produto final , como : tempos e temperaturas de banhos e enxágües , grau de agitação , combinação de filtros utilizados para controle do equilíbrio de cores especificados para o tipo e lote de papel utilizado etc. .

Deve-se considerar ainda que nem todos ( amadores e profissionais ) têm acesso aos laboratórios , ou seja , não podem alterar significativamente as variáveis que afetarão seu produto final , submetendo-se na maioria das vezes aos ajustes padronizados para valores médios que estão distantes de seus propósitos .

Os elevados investimentos envolvidos na montagem de um laboratório para processamento à cores , aliado aos volumes de trabalhos requeridos para sua operação em patamares financeiramente acessíveis , inviabilizam , na maioria das vezes , a "câmara escura pessoal" , levando os fotógrafos a pagarem caro por um processamento personalizado ( realizado por laboratórios especializados ) ou atirando-os nos braços dos mini-labs e demais empresas que aceitam apenas o tratamento padrão .

Os resultados , para aqueles que dominam o conhecimento técnico da fotografia , são muitas vezes frustrantes e acabam por limitar sua criatividade , nivelando-os aos amadores despretensiosos .

II - O Processo Digital

A imagem digital é um subproduto da guerra fria e da exploração espacial , onde os cientistas tiveram que desenvolver uma maneira de enviar imagens captadas em locais distantes para os centros de pesquisa na terra . Assim, cada pequeno ponto de imagem ( denominado "pixel" ) é transformado em números e depois em impulsos elétricos transmitidos através do espaço . Estas imagens eram normalmente digitalizadas na resolução de 800 X 800 pixels totalizando 640.000 elementos individuais de imagem para compor cada foto .

Antes mesmo do advento das câmeras digitais , as primeiras versões de programas de editoração de imagens como o Adobe Photoshop , o Letraset e outros já vinham sendo utilizados desde o final dos anos 80 .

As primeiras câmeras digitais chegaram ao mercado no início dos anos 90 no padrão profissional e alguns anos depois tornaram-se acessíveis para os amadores com diversos lançamentos efetivados pela Apple , Fuji , Nikon , Casio , Sharp , Canon , Epson , Kodak e outras marcas .

Como o processo digital não está restrito à captação da imagem por uma máquina fotográfica , visto que fotos convencionais podem ser digitalizadas através de scanners amplamente utilizados em trabalhos de computação e praticamente disponíveis em qualquer lugar , deve-se analisar com mais cuidado os significados das palavras dentro deste novo cenário para melhor entendimento do Processo Digital .

O conceito de Imagem Digital ainda permanece nebuloso mesmo para uma boa parte dos fotógrafos profissionais . Existem novos termos , novos procedimentos e novos processos envolvidos, surgem a cada desdobramento da tecnologia novos equipamentos que devem ser dominados , softwares que devem ser aprendidos e linguagens a serem conhecidas e desenvolvidas . É como iniciar o estudo de fotografia outra vez dentro de uma nova realidade .

Existem inúmeros termos que surgiram com a imagem digital . Entender corretamente seus significados e como devem ser usados , torna a transição para a era digital mais fácil.

Infelizmente algumas definições ainda são vagas e as vezes confusas . Os termos "imagem digital" e "imagem eletrônica" são muitas vezes usados como sinônimos apesar de não representarem a mesma coisa .

2.1 Definições associadas à Imagem Digital

O termo Imagem Digital refere-se ao processo específico de transformar imagens em dados digitais , enquanto Imagem Eletrônica engloba todas as formas de fotografar , tanto as digitais quanto as analógicas . Tal distinção costumava ser mais pronunciada do que é atualmente . No final dos anos 80 e início dos 90 , haviam diversas câmeras com "still-video" no mercado, que ao invés de transformar a imagem em dados binários , como as câmeras digitais fazem agora , elas apenas gravavam tomadas , como quadros analógicos individuais de vídeo . A qualidade destas imagens não era particularmente boa , tornando as "still-video câmeras" obsoletas em pouco tempo .

A gravação de vídeo é outra forma de Imagem Eletrônica . Ela pode ser usada para filmar ações em movimento , como também para capturar quadros individuais específicos de uma seqüência , possibilitando sua digitalização e transferência para um computador .

Sobrevêm ainda muita confusão sobre os termos "Fotografia Eletrônica" e "Imagem Eletrônica" . Tradicionalmente , a fotografia eletrônica refere-se a fotos feitas com luz artificial usando "strobes" e "flood lights" , enquanto a imagem eletrônica refere-se ao processo de tirar fotografia eletronicamente sem o uso de filmes .

A Imagem Digital torna-se mais fácil de ser entendida quando desdobramos o processo em seus componentes básicos , ou seja : captação ( que representa tirar uma foto e colocá-la dentro de um computador ) , manipulação ( significando o tratamento e modificação da imagem ) e produto final ( representando as várias formas de saída para a imagem digitalizada ) .

Em seguida , encontram-se detalhados cada um destes conceitos.

CAPTAÇÃO

A captação pode ser feita através de um "scanner" , uma câmera digital ou uma rede de computadores ( Internet ou Intranet ) .

Atualmente , a maneira mais comum é através de um "scanner" usando-se um negativo , cromo ou cópia .

Nos Estados Unidos alguns laboratórios já fornecem como opção o filme revelado em forma de CD ou disquete com as fotos já digitalizadas , por um pequeno valor adicional .Outros, recebem o filme a ser revelado pelo correio e após o processamento , devolvem as fotos de volta diretamente para seu e mail através da Internet . Em nosso país , tal serviço pode ser encontrado em alguns "Quiosques Digitais" existentes nas principais lojas de fotografia , por preços ainda pouco convidativos .

Essas são boas opções para os fotógrafos interessados em possuir fotos digitalizadas para posterior manipulação nos computadores ou simples remessa para os amigos através da Internet .

A melhor opção para aqueles que pretendem utilizar com freqüência fotos digitalizadas é comprar um scanner plano de mesa , cujos preços já se tornaram acessíveis em nosso mercado . Tal equipamento pode ser conectado com facilidade em qualquer computador , transferindo as imagens captadas diretamente para o disco rígido .

A segunda opção é através das Câmeras Digitais que possibilitam a captação direta de imagens na forma digital , armazenando-as em cartões de memória como : Flash Cards , CompactFlash , SmartMedia , Microdrives ou Disquetes , possibilitando a imediata transferência de arquivos para os computadores . As inconveniências desta opção são : baixa resolução dos equipamentos de preço mais acessível , limitações de recursos das câmeras quando comparadas com as convencionais de valor equivalente e preços ainda elevados dos equipamentos completos .

Fica , de qualquer forma , a mensagem veiculada em algumas revistas especializadas : "a melhor maneira de ter uma foto digitalizada ( de alta resolução ) com baixo custo é usando um bom scanner e não gastando todas suas economias na compra de uma boa câmera digital" .

Uma vez que a imagem foi captada e encontra-se no computador ,ela poderá ser modificada .

MANIPULAÇÃO

Existem inúmeras maneiras para modificar imagens digitalizadas , como a Otimização : utilizada para limpar fotos que contém imperfeições envolvendo ajuste de brilho e contraste , remoção de "olhos vermelhos" , uso de filtro para aumento de definição e eliminação de manchas de poeira e riscos . O processo de otimização de imagens é relativamente fácil de ser aprendido e existem vários programas disponíveis para este fim por preços acessíveis que executam todas as operações automaticamente .

A Manipulação de Imagens já envolve mudanças em suas características . Tais mudanças podem ser simples como a alteração da cor de fundo de uma foto ou a remoção de algum indivíduo ou elemento indesejado, até aquelas altamente complexas envolvendo radicais mudanças sobre a tomada original , podendo até transformá-la em um trabalho artístico .

A maior parte das Imagens Digitais envolvem prévia Manipulação.

Existem no mercado softwares de diversos níveis e recursos , indo dos mais simples e amigáveis até os altamente profissionais que necessitam um bom treinamento ou muitas horas de estudo para sua plena utilização .

A Foto Composição consiste em montar em uma única composição diversas imagens , gráficos , textos e outros elementos . Ela pode ser considerada como o topo da Imagem Digital , considerando-se a complexidade dos trabalhos e técnicas envolvidas .

Há algum tempo os programas profissionais para Foto Composição custavam caro e estavam restritos ao uso de algumas agências de publicidade . Atualmente existem softwares de preço acessível com elevada capacidade de foto composição , fazendo desaparecer os limites anteriormente existentes entre a Manipulação de Imagens e a Foto Composição .

PRODUTO FINAL

O estágio final do Processo da Imagem Digital é sua forma de utilização ( "output" ) .

Ele pode consistir de : cópias ou ampliações , slides , material para impressão , arquivos para distribuição em redes de computadores ou montagem em documentos escritos etc..

A forma mais comum de impressão é por intermédio das impressoras de jato de tinta , porém a de melhor qualidade é a de "dye-sublimation" ou "dye-sub" .

Impressoras jato de tinta de alta resolução ( Foto Realística ) e baixo preço vêm sendo lançadas a cada dia no mercado , tornando acessível a qualquer usuário o uso das mesmas para as finalidades mais corriqueiras . Inclusive as "dye-sub" , em modelos mais simples , já podem ser compradas no mercado americano por menos de US$ 1.000 , tornando sua aquisição viável para fotógrafos profissionais e amadores .

A geração de slides a partir de arquivos digitais ainda é um processo caro apesar de sua excelente qualidade , obrigando os fotógrafos que necessitam de tal produto final recorrerem a laboratórios especializados .

De uma maneira geral , torna-se necessária a gravação dos arquivos de fotos manipuladas em um meio físico que possibilite o fácil transporte . Gravá-los em disquetes é a primeira alternativa , desde que sua dimensão ( mesmo comprimido ) caiba no mesmo . Outra é a utilização de "Zip drives" que permitem armazenar até 600 Mb , ou seja , diversas fotos geradas em modo de alta resolução , que ocupam sempre arquivos com mais de 20 Mb .

Daí para frente resta apenas levar os arquivos aos laboratórios especializados , que os transformam em : cópias , ampliações , slides etc. .

Outro caminho é o de transmitir os arquivos através de algum serviço "online" , onde não há necessidade de cópias , gravações , etc . Por outro lado , o número de pessoas que possuem acesso a tal facilidade ainda é irrelevante em nosso país , estando restrito às grandes editoras de revistas e jornais .

Transmitir grandes arquivos pela Internet , em face das limitações existentes nas velocidades de transferência , ainda é inviável . Arquivos contendo fotos com alta resolução , demandam mais de 30 minutos de transmissão e dificilmente são aceitos pelos Provedores de acesso .

Apesar do cenário acima parecer um pouco confuso , a Imagem Digital não deve ser vista como uma tecnologia de difícil domínio . Para tanto deve ser analisada etapa por etapa , procurando-se sempre obter o pleno conhecimento de cada uma delas .

Os assuntos até aqui abordados , serão desenvolvidos nos capítulos subseqüentes , permitindo ao interessado aprofundar-se nas diversas técnicas disponíveis .

III . UMA ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE A FOTOGRAFIA DIGITAL E A CONVENCIONAL

A eliminação do filme , a imediata visualização da foto tirada e a rápida decisão pelo seu aproveitamento e a transferência direta da foto tirada para o computador ou impressora constituem-se nas grandes vantagens da fotografia digital , ou seja , para se chegar ao arquivo digitalizado correspondente à uma tomada , basta conectar a câmera digital ou cartão de memória ao computador por meio de um cabo e simplesmente copiá-lo .

Deste momento em diante todos os recursos de manipulação e geração dos produtos finais poderão ser aplicados , como em uma foto qualquer captada por algum dos outros meios citados anteriormente .

Daí para simples impressão ( cópia ) da foto depende-se apenas de uma impressora ligada ao computador . Outra alternativa disponível em boa parte das câmeras digitais é o da visualização das fotos em uma pequena tela existente na parte posterior da mesma no instante subseqüente à tomada , ou pela TV convencional através da simples ligação por um tipo de cabo específico .

Apesar destas grandes vantagens , as câmeras digitais ainda não podem ser vistas como o equipamento que elimina as inúmeras etapas do processo convencional.

As razões são várias : altíssimo preço dos equipamentos ( principalmente em nosso país onde taxas exorbitantes são pagas quando da importação mesmo para produtos que não produzimos internamente ) , baixo nível de resolução das imagens captadas por máquinas amadoras ou semi-profissionais , limitada capacidade de armazenamento de fotos , tempo de espera entre duas fotos tiradas em seqüência ( para algumas câmeras ) , peso das câmeras mais sofisticadas , recursos limitados de lentes para os modelos mais simples , elevado custo para reprodução em papel e elevado consumo de energia elétrica ( pilhas ) pelas câmeras .

De forma geral , um importante aspecto a ser analisado pelo fotógrafo digital é o da compatibilidade entre a resolução que se pretende no "Produto Final" e a resolução do método de captação a ser utilizado . Ou seja , se o trabalho final ficar bom com uma resolução de 300 dpi não será necessário captar a imagem com resolução equivalente à 600 ou 1.200 dpi .

Outro aspecto fundamental a ser considerado é o da Linguagem Fotográfica , pois se estamos entrando em novo mundo é indispensável revermos nossos conceitos de formação de Imagens . Assim que o interessado estiver familiarizado com as diversas técnicas utilizadas no Processo Digital , automaticamente começará enxergar a realidade a ser fotografada de maneira diferente.


autor: Prof. Ricardo Iglesias / março de 2.000 / Unicamp.


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